Grupos de proteção lutam pelos direitos dos animais abandonados na Rural
O campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) localizado em Seropédica é marcado pelo recorrente abandono de animais.
Cachorros, gatos e até equinos são largados pelo espaço com doenças que colocam
em risco os mais de 7000 alunos. A falta de iniciativa da Universidade para
sanar o problema mobilizou alunos e professores que criaram grupos de proteção
para tratamento e bem estar desses animais.
O Grupo Katumbaia, Projeto Castração, Comissão de Bem Estar Animal, Grupo Pet, Hospital Veterinário de Pequenos Animais (HVPA), Educação Ambiental, Docinho Solidário e o Projeto SOS Animal trabalhavam de forma isolada e passaram a integrar o Projeto de Controle Populacional e Bem Estar de Animais de Companhia da UFRRJ, que foi institucionalizado em 2013. São grupos com metodologias diferentes, mas que formam uma aliança na luta contra o abandono e os maus tratos de animais.
O projeto Docinho Solidário foi fundado em 2011 por
Daniele J. Barbosa e Naiara Rossato, alunas do curso de Medicina Veterinária.
Durante uma aula, elas avistaram um gato que precisava de tratamento e o
levaram para o Hospital Veterinário da Rural. O resultado: uma dívida de 400
reais. “Entramos em desespero, então encontramos uma forma de ganhar dinheiro
rápido, por isso começamos a fazer docinhos tradicionais para vender. Em uma
semana conseguimos arrecadar a quantia e as pessoas pediram para a gente
continuar, porque gostavam do docinho e sabiam que estavam ajudando”, conta Naiara. A venda dos doces ocorre, na maioria das vezes, no Instituto de Veterinária (IV).
Da direta para esquerda: Isabel, Daniele, Naiara, Viviane e Lucilene, alunas do curso de Medicina Veterinária e integrantes do Docinho Solidário |
O único apoio oferecido pela Universidade era acesso à
impressão de panfletos e a mobilidade de um carro, que foi cortado depois que a
reitoria descobriu que elas levaram um cachorro abandonado na Rural para uma
feira de adoção no Rio de Janeiro. Além da venda dos doces, o projeto aceita
doações de medicamentos e ingredientes e possui uma parceria com o HVPA, que
oferece prazos maiores para o pagamento das despesas.
Existem casos de animais com esporotricose no alojamento. Esse é um exemplo de zoonose, doença que pode ser
transmitida de bichos para seres humanos. “Falta interesse da própria
Universidade, estamos fazendo um trabalho que ela deveria resolver, resgatar
animais errantes com potencial zoonótico. Eles deveriam ao menos divulgar nosso
trabalho”, relata Daniele.
Segundo Rosana Colatino, coordenadora do Projeto SOS
Animal, são abandonados cerca de 15 animais por semana. Esse número tende a
aumentar em férias, greves e feriados prolongados. “Os alunos vão embora para
casa e querem se livrar da responsabilidade, então abandonam o animal no
alojamento e esperam que alguém fique para cuidar, mas não fica ninguém. Além
disso, a população de Seropédica também abandona seus animais nesse espaço”.
Rosana preferiu ter sua imagem não divulgada para evitar que pessoas coloquem mais animais sob sua responsabilidade |
O Art. 164 da Lei nº 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais), prevê o crime de abandono para aqueles que deixarem animais em propriedade alheia sem consentimento do proprietário. A pena prevista é de 15 dias a 6 meses de detenção ou multa. Apesar de abandono ser um crime federal, a aplicabilidade da lei é comprometida pela falta de fiscalização. Os grupos lutam para a reitoria instalar câmeras e colocar placas informativas no campus para fiscalizar e punir os criminosos. Rosana acredita que a solução do problema está na educação. “A questão é muito mais cultural do que médica-veterinária. A Lei de Crimes Ambientais precisa ser ensinada. Se as pessoas souberem que podem ser detidas ou multadas, elas vão parar de abandonar animais aqui dentro”.
GALERIA DE FOTOS
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Para saber mais dos trabalhos dos grupos, acessem suas páginas no Facebook:
Grupo Katumbaia
Hospital Veterinário de Pequenos Animais
Docinho Solidário
Projeto SOS Animal
ABANDONO E MAUS TRATOS A ANIMAIS É CRIME! Se você presenciar algum caso, denuncie!
Matéria de: Ananda Cantarino, Giulia Escuri, Matheus Queiroz e Vitória Quirino
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